Arquivo de Junho, 2011

d-.-b Música

Posted: 06/24/2011 by Luciana in Luciana, Música

Olá meus queridos.
Saudades? Também fiquei! Agradeço ao André que deu um help sexta passada.

Esses dias, eu e meus amigos, em papo de bar, começamos a devanear sobre clipes e músicas.
Acredite, dá pra viajar horrores e até ter novas ideias para personagens.
E resolvi compartilhar essa viagem com vocês.

Qual clipe ou música se relaciona aos clãs de vampiro, a máscara? 
Pois é! Pensando nisso e com base no meu repertório musical, selecionei alguns videos.  Reparem que cada um, de alguma maneira, lembra o clã.

RAVNOS
(Cigano doidimais como diria o Tio Nitro)


MALKAVIANO
(Lady Gaga é malkavian certeza!!!)

SETITA
(Já viram dança do ventre gótica? Sashi é a minha favorita!)

BRUJAH
(Juro que fiquei na dúvida entre esse e SOAD, qual tem mais cara de Brujah?)

GANGREL
(Amo Metallica)

LASOMBRA
(Repara nas fumacinhas! Muito Lasombra!)

NOSFERATU
(Clipe no esgoto, mas pensei em Slipknot também)

TOREADOR
(Os clássicos que me perdoem, mas esse video foi gravado em um museu de arte moderna)

VENTRUE
(Se Lady Gaga é Malk, Fergie é Ventrue)

TZIMISCE
(Não tive nem o que procurar muito! Bjork! Mas podia ter colocado um Prodigy)

GIOVANNI
(Será assim que eles se divertem?)

TREMERE
(Se Gaga é Malk, Fergie é Ventrue, nesse clipe Madonna é Tremere)

ASSAMITA
(Agora que vão cortar as minhas orelhas! hehehe)

E aí? O que vocês acharam? Tá condizente?
Qual o seu Set List? Qual música lembra seu personagem?
Postem nos comentários!

Beijos
Até a próxima!



Livro primeiro – capítulo 1*

Posted: 06/21/2011 by Aurea Gil in Contos, Kathy, Malkaviano, Personagens

Que trata da condição e exercício da inigualável artista circense Cassandra Napolina*
 
Num lugar do interior de São Paulo, de cujo nome não quero lembrar-me, vivia uma menina.*
 
Chamava-se Cassandra Napolina Gonzales.
 
Era franzina, delicada, tinha orelhas de abano, e seus longos cabelos negros desciam até a cintura.
 
Estava prestes a completar 6 anos quando se deu a tragédia: o último vôo fatal de sua mãe, Alana Gonzales, conhecida no mundo circense como “a inacreditável mulher pássaro”.
 
Após o inesperado acidente o pai de Cassandra, Carlos Gonzales, um hábil acrobata e não assim tão hábil trambiqueiro, decidiu que finalmente era o momento de sua filha única ser iniciada no estudo das artes do circo.
 
Era necessário, quase urgente, encontrar substituta à altura para a falecida mulher pássaro, já que essa era a principal atração da desfalcada trupe familiar cujos rendimentos conseguiam mensalmente sustentar todo o pequeno circo Gonzales e acalmar a fúria dos dezenas de agiotas para quem Carlos devia.
 
Se parecia impossível encontrar substituta para a mulher pássaro artista, para o papel de esposa Carlos não pareceu ter dificuldades na troca.
 
Poucos dias após o fatal incidente, o lugar vago no trailer do pai de Cassandra já era ocupado por Mademoiselle Gabrielle, a fantástica contorcionista, que fazia diariamente demonstrações de suas fenomenais habilidades corpóreas em apresentações exclusivas para o acrobata.
 
Enquanto aguardava os intensos ensaios de seu pai com a madrasta, que invariavelmente aconteciam dentro do trailer do dono do circo e a portas fechadas – para que se mantivesse o sigilo dos números – conforme explicava Juan, Cassandra treinava o equilíbrio na corda bamba, incansavelmente.
 
Era sempre observada de perto por Sancho*, seu fiel amigo, um chimpanzé adulto de olhos expressivos que costumava vestir roupas de gente e um chapéu.
 
A altura da corda subia a cada dia, assim com aumentavam também as horas de ensaio de Cassandra, que não encontrava mais tempo para brincadeiras de criança.
 
Um forte ” Andale, andale!!” Acompanhado de palmas vigorosas era o que o pai de Cassandra enérgicamente dizia nos poucos momentos em que estava presente, incentivando-a a fazer o trajeto na corda cada vez mais rápido.
 
Apesar do evidente cansaço dos treinos, enquanto se equilibrava no alto de sua corda, Cassandra transformava seu mundo habitualmente cinza em colorido.
 
Ao se apresentar, imaginava-se bem maquiada e vestida, com os cabelos presos ao alto num coque e, inexplicavelmente, sem as orelhas de abano.
 
A lona velha e remendada transformava-se em um picadeiro luxuoso.
 
O pêlo de Sancho brilhava reluzante, e a platéia geralmente sonolenta e entediada a aplaudia com entusiasmo.
 
Havia música, brilho, luzes, cheiro de pipoca e todos a admiravam.
 
Os cartazes anunciavam o show da “inigualável Cassandra”.
 
O circo era seu mundo mágico, e ela adorava cada vez mais o que fazia.
 
Assim, perdida em suas brincadeiras e delírios, a pobre menina foi perdendo o juízo.
 
Pelo menos era o que dizia seu pai “perdeu lo juízo, la pobrecita”.
 
Sua imaginação foi tomada por tudo o que sonhava – magias, truques, brilhos, números incríveis, aplausos do respeitável público, desafios, amores e disparates inacreditáveis.
 
Foi assim que acudiu-lhe a mais estranha idéia , que jamais ocorrera a outra louca nesse mundo.*
 
Pareceu-lhe conveniente criar seu próprio mundo, seu próprio circo.*
 
E assim foi, pelo menos e a princípio, somente dentro de sua mente.
 
Quando Mademoiselle Gabrielle, a fantástica contorcionista, descobriu que o hábil Carlos andava ensaiando novos números com a adorável Juanita, a ajudante do mágico, e contratou o experiente atirador de facas Jaime para acidentalmente errar seu alvo e acertar o coração adúltero do dono do circo Gonzales.
 
Então, de repente…
 
Plim!
 
Como num passe de mágica, sua ilusão virou realidade, e aos 16 anos, por mérito e direito, a inigualável Cassandra tornou-se a única herdeira e proprietária do Gran Circo Gonzales. E aqui começa outra história.
 
* Adaptações com referências ao livro Dom Quixote de La Mancha
 
(Trecho de background de personagem utilizada em crônica de Vampiro a Máscara)

O lobo-guará

Posted: 06/20/2011 by Bruno in Bruno, Contos, Vampiro

Num dia qualquer, há algum tempo atrás…

Peterson vem dirigindo seu velho guincho pela estrada. A vergonha e a culpa lhe consomem por dentro…

“Bugre: Veja bem Peterson, você precisa encontrar o animal dentro de você. Ele está aí, em algum lugar, você só não encontrou ainda…
Peterson: Não sei Bugre, eu estou um pouco confuso. Eu só consigo pensar em cachorros, o tempo todo, mas eu não quero ser um cachorro!
Bugre: É aí que você está se complicando. Você está se negando, não está deixando a sua natureza fluir em você…”

Peterson esbraveja ao volante:
– Mas que bela bosta de animal eu sou, que bela bosta!

Ele não consegue pensar em voltar para a cidade depois de tudo o que aconteceu…

“Cinzas. Tudo o que sobrou de seu senhor foram cinzas. Ele olha desconsolado para o chão. Agachado, ele revira o pó e encontra o pingente que Bugre carregava junto ao peito. Mas o pingente estava quebrado. Sentindo-se tão quebrado quanto o pingente, Peterson passa o cordão em volta do pescoço. O pingente serviria para lembrar o quão frágil um vampiro é. Sem se arriscar. A partir deste dia seria assim a não-vida.
Ele se afasta, enquanto seu peito, que carrega um coração que não bate, transborda de vergonha por ter fugido na hora da batalha. Peterson liga o guincho e parte, sem destino certo…”

Vergonha, culpa, vergonha, culpa, vergonha, culpa, medo, vergonha, culpa, medo, raiva, raiva, raiva, raiva…
A estrada vai ficando vermelha, vermelha, vermelha. A consciência some…
…e volta repentinamente acompanhada do som de um grunhido de dor.
Peterson freia o carro e joga para o acostamento.

Atordoado ele sai do guincho. Ao olhar para a estrada, vê o que parece ser um cachorro, jogado, gritando de dor.

Peterson se aproxima do animal. Agora, mais de perto, ele vê que se trata de um lobo-guará. Animal solitário, que ele só conhecia através de livros.

Não há como salvar o animal. Lágrimas de sangue correm pelo seu rosto, enquanto ele pede desculpa.

Ele se abaixa e dá ao animal o beijo que acalma. O beijo que mata. Enquanto o animal recebe a paz e começa a morrer, Peterson vai morrendo junto…

Ao fim do processo, Peterson toma o animal nos braços e o carrega para dentro do matagal ao lado da estrada. Tenta acomodar a carcaça sem vida de forma confortável, e passa a mão em sua cabeça, para tentar aliviar a dor.

Triste, com dor, sozinho. O lobo-guará era Peterson, e Peterson era o lobo-guará. Ele tira do bolso um canivete suíço e corta um pouco do pêlo do animal para carregar consigo. Este lobo-guará não seria esquecido. Ele viveria em Peterson.

Quando caiu em si, percebeu que estava correndo em quatro patas. E nada mais importava. E por mais pessoas que possam estar à sua volta, ele sempre estará sozinho, correndo…

Double Shot de Sexta-Feira!

Posted: 06/17/2011 by El Gordo in André, Cultura, Curiosidades, Games, Luciana

E aí, firmezinha? Entonces, eu sou uma marmota e eu estava com esse texto tamborilando na minha cabeça, mas os fatos na última semana não deixaram que eu conseguisse subir um assunto bacana no dia certo. Por isso, eu estou entrando com esse texto com quase uma semana e meia de atraso – não acontecerá de novo. E com um bônus, cobrindo a falha da minha boa amiga Luciana.

Parte 1: “E um dia, os seus filhos, Kal-El!”

Sim, isso é possível.

Ah, os prazeres da maternidade. A obrigação genética de passar nossa carga para a próxima geração, tentar fazer com que eles não cometam os mesmos erros que cometemos no passado. Como comprar livros pirateados e jogar 3D&T. Sempre nos perguntamos depois que vemos um pimpolho nos braços de um casal nerd como será o rebento nas próximas gerações: se ele vai ser um Nerd de Quarta Geração Bazingueiro, se ele será uma ostra social, ou, enojado com a imagem dos pais se vestindo de Steampunk com quase quarenta anos nas costas, ele vai gastar toda a sua mesada com academia, pó, birita e prostitutas do baixíssimo meretrício. Sempre considerou-se uma aposta arriscada ser um nerd e tentar criar um filho aos moldes clássicos do estereótipo.

A pergunta era uma sombra de dúvida não apenas nos rumos que teriam os aspiras da Nova Geração de roladores de dados e preenchedores de fichas quilométricas, porque para ser sincero, era mais fácil descobrir a fórmula do refrigerante cujo nome eu não digo que ver um casal nerd procriar e continuar junto e fazer com que seus genes conseguissem passar para a frente. Os mais puristas acreditam que a nerdice e o gosto pelo RPG são adquiridos com o tempo, uma condição social que impele os que ficam pra trás na corrida pelas menininhas ou menininhos (dependendo do sexo ou do “caminho da alma”) a se reunirem e afogarem suas tristezas e mazelas sociais com dados, salgadinhos, cigarros roubados da bolsa de mamã e sonhos idílicos onde eles são seres poderosos e/ou atormentados bagarai.

Entretanto, graças aos efeitos da Sociedade Civil Organizada do Anel em busca de um lugar ao sol desta minoria que aceita todas as outras maiorias, vem se notando grandes esforços para transformar a nerdice e a paixão por esse nosso pequeno esporte em uma coisa mais natural e passível de se transformar em um instrumento familiar. RPG FAMILIAR – quando você, seu velho safado que vivia de livros fotocopiados e revistas mensais com aventuras half-baked e resenhas mais porcas que as que eu escrevo hoje, poderia imaginar que ouviria essas duas palavras na mesma sentença?

Pois essa desgrama acontece mais do que você imagina. Graças aos bons velhotes das mesas, pioneiros na nerdice que cresceram e conseguiram seu lugar ao Sol em setores estratégicos (mwa-ha-ha-ha), conseguimos colocar o bom e velho Jogo de Interpretação de Papeis em um patamar pedagógico, didático, divertido. Eu me lembro de uma aventura one-shot em uma aula de história por uma professora substituta gorda como o “Comic Book Store Man” sobre os exploradores do sertão, isso na oitava série, no ano longínquo de 199e-não-te-interessa. E acreditem quando eu digo, meninos e meninas que estão lendo isso graças ao Google – com D20 e GURPS você pode fazer um jogo de RPG educacional de QUALQUER COISA. Inclusive de Nelson Rodrigues e Rubem Fonseca. Fica a dica.

Chaotic Neutral na veia e nos livros escolares. Não em todos, mas em alguns.

A despeito de toda a agenda antinerd que sempre de vez em quando escutamos – principalmente os casos desses malditos hardcore-gamers que brincam de Ritual em um cemitério com gentinha de verdadinha com adaguinha de verdadinha – estamos deixando um bom rastro para os nossos pimpolhos. Como experiência pessoal, os poucos nerds que conheço que possuem rebentos estão doutrinando os pequenos na doutrina de rolagem de dados. E também em não estranhar quando virem os pais saindo fantasiados de casa para um evento ou live-action.

Além do mais, se seus pais te toleram nerd jogador de RPG – de mesa, de videogame ou qualquer outro jeito que inventem nas próximas décadas – fica muito mais fácil o garoto crescer e ter vontade de ser o que quiser. Engenheiro, arquiteto, psicólogo, um Toreador Antitribu, Ranger da Aliança, etc…

Melhor ter uma foto vestido de Yoda no passado que uma foto com a camisa do Palmeiras. Acredite-me.

******

Parte 2: Jack Flack Sempre Escapa!

Bom, a pedidos da Luciana – que está “assoberbada de trabalho” (como diria a vadia malcomida da minha primeira patroa no Jornalismo, em um jornalzinho semanário de Jacareí) com seus afazeres em assuntos que não são da minha conta, eu resolvi tapar esse pequeno buraco tentando emular um pouco do estilo da moça, sempre mais ligada na questão cultural e afins.

Bom, eu curto cinema. Filmes, curtas, trailers, trilhas sonoras, o que você quiser – eu só não fiz uma faculdade relacionada porque minhas mãos tremem com uma câmera e achava que isso daria menos dinheiro que jornalismo (isso é possível?). E, como todo garoto da geração dos filmes da tarde, eu fui vendo um monte de filmes antigos que tinham alguma ligação com o mundo nerd. Poderia falar da trilogia De Volta para o Futuro, poderia falar da fantasia medieval de “O Feitiço de Áquila” (que poderia ser facilmente o kickstart de qualquer aventura de Dungeons & Dragons antiga), “Os Garotos Perdidos” e seu retrato de vampiros que mordem pescoços femininos, e não fronhas, vivendo na excelência de uma imortalidade jovem em Santa Monic…. Santa Carla (no primeiro corte, onde aparecia um pezinho de maconha na casa do velho, que depois foi editado para tornar o filme mais familiar no horário da tarde), mas não. Temos que ir mais fundo.

“Os Heróis Não Tem Idade” (Cloak & Dagger, EUA, 1984) é um desses filmes despretensiosos, feitos quase que numa prensa hidráulica, naqueles dias que se procurava fazer uma ponte entre crianças e aventuras em um ambiente ao mesmo tempo controlado e desafiador. O resumo da história: um garoto Forever Alone recebe de um moribundo um cartucho de videogame com planos secretos embutidos, e começa a ser perseguido por espiões interessados no McGuffin para Atari 5200. O garoto, desacreditado por todos como um sonhador e mentiroso contumaz, conta apenas com uma pistola d’água, uma bola de softball e a inspiração de um amigo imaginário que é um espião de um jogo de RPG de mesa e vídeo: Jack Flack, o espião.

Esse filme não passa na Regra dos Quinze Anos (a que qualquer filme que era bom na sua infância fica uma merda depois do 15º aniversário) por uma série de fatores: desprezar um garoto dizendo que tem segredos de Estado no auge da Guerra Fria do Reagan X Andropov é ignorar demais a paranóia que vivia a nação americana naqueles dias de Rambo e Rocky X Drago, os espiões que não conseguem dar conta de uma criança em fuga não conseguiriam nem mesmo um estágio na ABIN (que descobriu de terceiros certa vez que Osama Bin Laden deu uma palestra em Cidade do Leste em 1996, antes de ter fama internacional), os personagens são caricatos e o escambau. O filme, em suma, não é o primor de roteiro e direção. Mas ele tem uma coisa a mais, além do tempero da infância.

Pela primeira vez fora do circuito Trilamb de esculacho generalizado de nerds e seus costumes podemos ter a aplicação de conceitos de RPG em um efeito válido e interessante, tanto como efeito de cenário como para narrativa. Na primeira cena vemos uma sequência de ação onde Jack Flack escapa de uma série de espiões com piruetas e papagaiadas dignas de um espião faz-tudo. Inclusive de dois D-20 que rolam em sua direção. Embora mostrem na cena seguinte um gordo-nerd-padrão trabalhando em um computador, esse nosso passatempo favorito não é apenas uma diversão para gordos suados trancados em um quarto escuro bebendo e suando aventuras medievais. É uma coisa que pode ajudar nossos pimpolhos a conseguirem ter mais cérebro.

Alguém está vendo um óculos fundo-de-garrafa ou um protetor de canetas de bolso nesse jovem mancebo?

O problema é que, tal qual 90% da população brasileira, só fui conhecer RPG com as notícias bizarras da televisão. Mas ainda sim foi uma boa maneira de apresentar “O esporte” para o pessoal.

Pra quem viu, relembre. Pra quem não viu, veja.

Mulheres perfeitas?

Posted: 06/14/2011 by Aurea Gil in Kathy
Etiquetas:, ,

Peitudas, gostosonas, cinturinhas bem demarcadas, longos cabelos esvoaçantes, lábios carnudos que parecem ter saído de um consultório de um cirurgião plástico. Assim são elas, quase que sem tirar nem pôr, as heroínas, vilãs e coadjuvantes das histórias em quadrinhos.

Gostosas e de cinta liga

Combatendo o mal – ou fazendo parte dele – sem sair do salto, as mocinhas dos quadrinhos prestam aos nossos rapazes e moças quase que o mesmo desserviço que os filmes pornográficos prestam aos adolescentes que ainda não pegam ninguém.

(Faço aqui um corte para uma cena que assisti a pouco num documentário, onde um desses atores pornôs bem clássicos explicava, rindo muito “Atenção, seus nerds, me divirto muito filmando, mas ninguém faz sexo assim em casa, ok?”. hahaha…) É, ele tem toda razão, aquilo é sexo técnico, feito para ser estético e não funcional, mas, enfim, deixemos essa discussão educativa para um post mais oportuno, e concentremo-nos nas moças. 

Voltando ao desfile de silicone de nossos quadrinhos, “Nada diferente disso seria estético”, reclamam os machões. Aham, amigão, quer dizer que uma mulher de verdade com defeitinhos, gordurinhas e peito sem silicone não é estético pra você?  

“Ah, mas os homens também são todos gostosões!”. Er… Não, amigo. TODOS, não…

Beleza clássica

Sinônimo de sensualidade

Mister Universo

Daí que eu adoro quadrinhos, mas me cansa um pouco essa falta de diversidade no caso das mulheres (não, amigo, diversidade não é ter uma loira, uma ruiva e uma morena) e de referenciais mais comuns, sabem?

Afinal, ninguém nasce achando que mulheres peitudas, perfeitas, coxas grossas e cabelos esvoaçantes são muito mais bonitas do que as mulheres magras, ou gordas, ou de peitos pequenos, ou com peitos grandões, ou peitos médios, ou com alguns defeitinhos aqui e ali, com cabelos nem sempre saídos de um comercial de shampoo, sejam eles longos, curtos, médios, enrolados, lisos, etc. Isso se aprende, certo? E como é que a gente aprende, tiaaa? Oras, a gente aprende baseado nos referenciais que o mundo nos dá. Por exemplo, desde criancinhas, as meninas ganham Barbies, e aprendem que a Barbie loira e de olhos azuis é sempre a mais gata.

Tô Gata?

Quer dizer, todas menos eu, que sempre curti a Susi, gorduchinha e com os cabelos naturalmente encaracolados. Tsc tsc… Adepta das minorias desde pequenininha, fazer o que? 🙂

Lembrei de um post que li recentemente do blog da Lola e que mostrava corpos de vários atletas olímpicos de diferentes modalidades, que representavam perfeitamente a diversidade mesmo em quem está em perfeita forma física. Em seu blog, a desenhista de quadrinhos Nina Matsumoto comentou as fotos sobre o ponto de vista de quem desenha, achei bem interessante, vejam:

“Like many others I tend to fall into the trap of drawing the same body type over and over for athletic characters. This photoshoot serves as awesome reference reminding us artists that strong bodies come in all kinds of shapes and sizes and muscles show up in different ways. It also helps us keep in mind that not everyone who is fit is also lean. There’s often a layer of fat over the muscles, making them less visible for some.”

Traduçãozinha mequetrefe: “Como muitos outros, eu tendo a cair na armadilha de desenhar o mesmo tipo de corpo sempre e sempre para os personagens atléticos. Este photoshoot serve como referência impressionante lembrando nós artistas que corpos fortes existem em todos os tipos de formas e tamanhos, e os músculos aparecem de formas diferentes. Também nos ajuda a manter em mente que nem todo mundo que é atlético é também magro. Há muitas vezes uma camada de gordura sobre os músculos, tornando-as menos visíveis.”

“Ai, que chatice, pra que reclamar de algo que nunca vai mudar mesmo?”. Tô reclamando não, só constatando mesmo. Constatar abre espaço para reflexões, afinal, e refletir nunca é demais.

Mas, afinal de contas, eu tenho certeza que nossos adoráveis leitores não são idiotas e sabem que essas mulheres não existem, elas foram desenhadas baseadas em algum conceito de perfeição feminina implantado por aí. E mesmo as que “existem”, acabam por não existir, já que são praticamente feitas de colágeno, implantes,  plástico, gordura lipoaspirada, cabelos artificiais, enfim, um nojo. 

Termino colocando aqui uma foto de uma das minhas personagens femininas favoritas do Universo Marvel, Jessica Jones. Perfeita em suas imperfeições, MEGA loser, desastrada, divertida, tão humana que até é mãe. Quem quiser conferir procure Alias, em Marvel Max. Eu tenho a coleção completa de Alias, mas não empresto, não. Te vira, malandro 🙂

Sem aplique, e com falhas de caráter: mulher perfeita!

20 curiosidades sobre cerveja

Posted: 06/10/2011 by Luciana in Cerveja, Cultura, Curiosidades

Cerveja é cultura

 

Um pedaço de você

Posted: 06/07/2011 by Aurea Gil in Kathy, Uncategorized
Etiquetas:

Auto-explicativo

“Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.” (Clarice Lispector – A hora da estrela)

Confesso: a minha parte preferida em todo o processo do RPG é sempre a de criar personagens. Novos personagens, novas idéias, novas histórias. Nem sempre meus personagens podem ter a honra de interagir com o mundo, nem sempre consigo colocá-los à prova num jogo verdadeiro, interagindo com outros “eus” de outros jogadores, mas ainda assim esse é o momento em que eu mais me divirto.

E não falo só da planilha, não. Parte que também gosto muito, admito, mas falo mesmo de descobrir e construir aquela pessoa inteira, descobrir seus detalhes e seus “sussurros”. Afinal, citando aqui mais uma vez Clarice: “Os fatos são sonoros, mas entre os fatos há um sussurro. É o sussurro que me impressiona.”

sem background não dá

Traduzo: um background bem construído não significa nada para mim se ali não consigo enxergar vida. Uma ficha toda combada e funcional para mim nada diz se não encontro motivação para a personagem existir. Para mim essa vida está nos sussurros, nesses pequenos detalhes que fazem daquela pessoa alguém único, diferente dos demais.

Já tentei, sim, jogar sem me preocupar com background, num desses hack and slash básicos, mas quando chegou a minha bendita vez de abrir a boca (e acredite, essa hora sempre chega, mesmo no mais despretencioso dos jogos!), eu fiquei completamente muda! Não saía nada! Como falar algo sem saber quem era aquela pessoa que falava? Para mim não fazia o menor sentido!

Outra coisa que sempre me acontece, e que acho natural, embora alguns narradores não gostem, é a personagem ir “mudando” conforme o tempo passa. Uma personagem parece perfeita na teoria, mas quando ela entra em ação, percebe-se que certos pontos não funcionam, e desenvolve-se outros, e então a saída é mudar, moldar, modificar, aparar arestas, e assim como qualquer pessoa comum, em eterno aprendizado na vida, emocionalmente, inclusive, essa pessoa que a gente cria também se modifica aos poucos.

Por último, e não menos importante, até hoje jamais criei uma personagem que não tivesse um pouco de mim. Na verdade, acho que até o menos criativo jogador, aquele que enxerga o personagem como um conglomerado de atributos e bolinhas, fala muito sobre si mesmo quando escolhe interpretar esse tipo de personagem.

Encerro com mais uma frase de Clarice de “A Hora da Estrela”, onde Rodrigo S. M. define sua personagem Macabéa: “Mas eu, que não chego a ser ela, sinto que vivo para ela.”