La Belle des Cubes

Posted: 06/01/2011 by El Gordo in André, Cultura, Uncategorized

"ESPERANÇA: Porque ela pode realmente querer saber do seu Paladino Nível 12."

Tristes tempos eram aqueles em que tínhamos que suportar o mestre-de-jogo fazendo voz em falsete para interpretar uma donzela em perigo, e tentar imaginar do fundo de nosso cerebelo que aquele cara gordo e tetudo na verdade era a Michelle Pfeiffer em “O Feitiço de Áquila”. Naqueles dias era o verdadeiro RPG por amor à camisa manchada de refrigerante e salgadinhos gordurosos (cujo nome eu não coloco nessa coluna enquanto eu não conseguir um jabá).

O gênero feminino passou por muito tempo longe da nerdice generalizada, basicamente por conta do modelo neoliberal de antigamente onde o macho-alfa era o principal provedor de diversão sem risco de acabar em um relacionamento doentio, uma gravidez indesejada ou uma DST. Em suma: de uns tempos pra cá, o Lewis Skolnick digievoluiu para o Steve Jobs, ganhou um blazer Armani e virou um cara pegável.

“Mas El Gordo, isso é machismo! Você está sendo sexista, está esquecendo que existem sim mulheres nerds – inclusive, elas escrevem aqui neste espaço, sua besta!” – Sim, meu caro amigo leitor. Existem mulheres nerds, assim como existem mulheres que não são nerds e que ainda sim estão no bandwagon da moda nerd. Se você conhece uma mulher nerd fo’real, sorte a sua. Com a ajuda do Vento e das Divindades do D10, vamos chegar do lado de fora da ficha e ver como conviver com esse admirável, cheiroso, esteticamente atraente mundo novo, allons-y?

Cara, elas não são homens com peitos.

Sim, eu sei. É uma coisa que o cunhado do El Gordo ensinou há mais de 15 anos, em um churrasco de família enquanto ele falava dos seus tempos de jovem, quando colocava duas moças de vida airada em seu Escort Conversível pela Rua Augusta, lá na década de 1980. Mulheres não são homens sem aquela coisa balangando lá embaixo.

A dinâmica varia de caso pra caso – existem mulheres que não se incomodam de ouvir uma piada suja aqui ou ali, existem mulheres que também arrotam naturalmente depois de tomar duas garrafas de cerveja ou um litro de refrigerante. Elas também falam palavrão quando estão nervosas. Mas encarar este momento de defesa baixa de uma mulher – do estado natural, quando está sozinha – como mais uma ogrice padrão de um homem é de uma estupidez sem tamanho.

"ISTO não é uma mulher nerd. Não. Nem a pau."

E, acima de tudo: Diga não À Abelha-Realeza.

Embora resolvidas e liberadas pós-1970, a mulher-padrão ocidental tem pontos a mais em sua ficha da Vida para Manipulação e Representação. Não, não é um machismo, é um fato consumado: pense em todas as vezes que você cedeu espaço por um biquinho que ela tenha feito ou um cafuné cirurgicamente disparado em uma sessão de cinema.Você sabe do que estou falando.

Este tipo de interação social pode até ser bonitinho e pode te conseguir um espaço de destaque da Zona da Amizade, mas dentro do território das mesas e jogos de RPG bancar o operário trabalhando para a Abelha-Rainha pode te render mais dores de cabeça que imagina. Juntar forças com aquela mocinha bonita do outro lado da mesa por um objetivo comum e plausível – seja conquistar o Castelo do inimigo ou acabar com a sanidade do Mestre – é uma coisa, ser o capacho dela em jogo para conseguir alguns favores sentimentais fora dele não é apenas antiético: é creepy pra caralho.

Não é porque você é um nerd que você não pode ter autoestima e se impor. Mas, pelo amor do Bacon, lembre-se da primeira regra. Impor sua opinião não envolve dadodolabellices como berrar, gritar, insultar, esculachar, bater, agredir, embulachar, usar armas improvisadas ou qualquer outro tipo de assédio moral ou físico.

Bom, isto aqui é apenas um toque. Cadum é cadum, já dizia o profeta. A beleza desse mundo é que tem agora, por conta da bazzingagem nossa de cada dia, cada vez mais gente de origens e pensamentos diferentes jogando esse tal de erre-pe-gê. Pense com o cérebro, ele não foi feito apenas para processar birita e te dar um sustento. Bom-senso, personalidade e um pouco de audácia podem fazer da sua experiência mista de RPG a diferença entre um amorzinho nerd ao som da trilha de Vampire The Masquerade: Bloodlines e a reedição da primeira temporada de The IT Crowd, que é uma série muito fodapracaralho e recomendo que assistam, seus wankers.

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Comentários
  1. Bruno diz:

    Noção deveria ser vendida na lojinha do alquimista, assim como poção de HP, antídoto para veneno de cobra e poção de foda-se.

  2. Kathy diz:

    Cara, vc ainda vai ficar rico escrevendo. Ah, vai! 🙂

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