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Palavra de salvação

Posted: 07/11/2011 by Aurea Gil in Contos, Kathy, Personagens, Vampiro

“Deus vos salve”, eu murmurei, ao ver que Sebastião se aproximava. Ele não me respondeu. Os brancos diziam que ele era um negociante. Pra mim não passava de mais um mestiço como eu. Filho da terra, sim, embora estivesse livre agora.

Toda a família dele, se não morreu ou fugiu, com certeza ainda era índio que se arrastava por aí servindo aos brancos. Só porque esse meia bosta agora anda a cavalo e calça sapato de couro de vaca, acha que é melhor do que os outros todos. Coitado.

Uma movimentação no lado de fora me fez olhar pela janela a tempo de ver aquele feiticeiro chegando, meio andando, meio arrastado pelos capangas do dono da terra. Baraúna. O olho dele me dava medo. O olhar era de raiva, de fúria.

Meu pai me ensinou como lidar com esses índios que não eram acostumados a viver que nem gente. Era com desconfiança. Ficou tal qual o animal que era, acocorado num canto, só faltava rosnar. “Pai do céu me proteja”, eu disse, enquanto tentava lembrar da reza do Espírito Santo.

O último a chegar era sempre Dourival. Estava ali um homem bonito que dava gosto. Usava bota, chapéu pardo, lenço de cabeça, roupa de gente importante, tinha aquele olho verde que parecia uma pedra brilhando no meio da cara barbada.

Era um homem direito assim que uma mulher que nem eu devia arrumar pra ver se eu me aquietava logo desse pecado que me rondava. Era um homem desse que eu tinha que arrumar pra ver se ficava longe de uma vez por todas daquele seu Coimbra.

E por falar no diabo, lá vem ele. Credo em cruz, que se aquele homem não era o capeta, estava muito perto disso. E nem índio era, pra se dizer de feiticeiro. Perto dele o tal Baraúna era um santo do altar.

Era ainda mais branco que Dourival, o desgraçado. Nem muito cabelo tinha na cabeça, só em volta, e nem chapéu não usava. Também não tinha aquele olho que parecia de vidro como Dourival.

 Ao contrário, tinha era um olho que saltava de dentro da cara, e que parecia que me comia naquele olhar de gente que te olha que nem quando vê porco assando no ferro.

Gente ele não era, aquilo era um demônio que me atentava, e me fazia fazer coisas que eu não queria, e o que eu queria agora era não viver mais naquele pecado. 

Todos sempre ficavam agoniados ao ver o seu Coimbra. E quem é que se aquieta ao ver o diacho ali, em pessoa? Enquanto os outros falavam dos índios, das terras, dos navios, da vila, das coisas que ele queria pra ele, e que a gente conseguia pra ele sempre, o que eu fazia era rezar. Nem ouvia nada.

O problema é que o cheiro do pecado dele me tirava da reza e me fazia pensar no sangue quente escorrendo do braço dele até a minha boca, e parecia que eu podia matar um daqueles três só pra ser a primeira a morder o diabo.

“Me ajudai, senhor, repara meus pecados, me afasta desse mal”, eu dizia, tentando nem mexer os lábios. E esfregava as mãos trêmulas no meu vestido rústico enquanto olhava aqueles dentes pontudos do tinhoso, e sentia aquele cheiro de coisa ruim.

“Me concede a graça de perseverar no vosso santo  serviço, meu deus, meu santo pai”, eu murmurava, e quando todos os olhos, os do sarnento e os dos outros todos, se viraram pra mim, contra mim, eu gritei.

Gritei que não conseguia mais, que não dava mais conta, que não tinha mais forças, e apontei que o feiticeiro é quem devia estar no meu lugar, servindo ao capeta.

Apontei o Dourival e disse que queria era ir embora com ele. E foi então que o cascudo abriu seus braços pra mim, dizendo, naquele sotaque forte de português, que ia me libertar.

Dizia que ia era tirar aquele peso todo de mim. O peso do pecado. “Venha, minha filha”, ele disse. E eu me deixei amparar naqueles braços malditos, e foi o que ele fez.

Me levou pros braços do meu pai, por quem eu tanto implorava. Eu descobri que ele não era o capeta, não. Descobri que ali, naquela São Paulo de Piratininga, Coimbra era Deus.

(Texto meu baseado em rolagem de Vampiro a Máscara)

Livro primeiro – capítulo 1*

Posted: 06/21/2011 by Aurea Gil in Contos, Kathy, Malkaviano, Personagens

Que trata da condição e exercício da inigualável artista circense Cassandra Napolina*
 
Num lugar do interior de São Paulo, de cujo nome não quero lembrar-me, vivia uma menina.*
 
Chamava-se Cassandra Napolina Gonzales.
 
Era franzina, delicada, tinha orelhas de abano, e seus longos cabelos negros desciam até a cintura.
 
Estava prestes a completar 6 anos quando se deu a tragédia: o último vôo fatal de sua mãe, Alana Gonzales, conhecida no mundo circense como “a inacreditável mulher pássaro”.
 
Após o inesperado acidente o pai de Cassandra, Carlos Gonzales, um hábil acrobata e não assim tão hábil trambiqueiro, decidiu que finalmente era o momento de sua filha única ser iniciada no estudo das artes do circo.
 
Era necessário, quase urgente, encontrar substituta à altura para a falecida mulher pássaro, já que essa era a principal atração da desfalcada trupe familiar cujos rendimentos conseguiam mensalmente sustentar todo o pequeno circo Gonzales e acalmar a fúria dos dezenas de agiotas para quem Carlos devia.
 
Se parecia impossível encontrar substituta para a mulher pássaro artista, para o papel de esposa Carlos não pareceu ter dificuldades na troca.
 
Poucos dias após o fatal incidente, o lugar vago no trailer do pai de Cassandra já era ocupado por Mademoiselle Gabrielle, a fantástica contorcionista, que fazia diariamente demonstrações de suas fenomenais habilidades corpóreas em apresentações exclusivas para o acrobata.
 
Enquanto aguardava os intensos ensaios de seu pai com a madrasta, que invariavelmente aconteciam dentro do trailer do dono do circo e a portas fechadas – para que se mantivesse o sigilo dos números – conforme explicava Juan, Cassandra treinava o equilíbrio na corda bamba, incansavelmente.
 
Era sempre observada de perto por Sancho*, seu fiel amigo, um chimpanzé adulto de olhos expressivos que costumava vestir roupas de gente e um chapéu.
 
A altura da corda subia a cada dia, assim com aumentavam também as horas de ensaio de Cassandra, que não encontrava mais tempo para brincadeiras de criança.
 
Um forte ” Andale, andale!!” Acompanhado de palmas vigorosas era o que o pai de Cassandra enérgicamente dizia nos poucos momentos em que estava presente, incentivando-a a fazer o trajeto na corda cada vez mais rápido.
 
Apesar do evidente cansaço dos treinos, enquanto se equilibrava no alto de sua corda, Cassandra transformava seu mundo habitualmente cinza em colorido.
 
Ao se apresentar, imaginava-se bem maquiada e vestida, com os cabelos presos ao alto num coque e, inexplicavelmente, sem as orelhas de abano.
 
A lona velha e remendada transformava-se em um picadeiro luxuoso.
 
O pêlo de Sancho brilhava reluzante, e a platéia geralmente sonolenta e entediada a aplaudia com entusiasmo.
 
Havia música, brilho, luzes, cheiro de pipoca e todos a admiravam.
 
Os cartazes anunciavam o show da “inigualável Cassandra”.
 
O circo era seu mundo mágico, e ela adorava cada vez mais o que fazia.
 
Assim, perdida em suas brincadeiras e delírios, a pobre menina foi perdendo o juízo.
 
Pelo menos era o que dizia seu pai “perdeu lo juízo, la pobrecita”.
 
Sua imaginação foi tomada por tudo o que sonhava – magias, truques, brilhos, números incríveis, aplausos do respeitável público, desafios, amores e disparates inacreditáveis.
 
Foi assim que acudiu-lhe a mais estranha idéia , que jamais ocorrera a outra louca nesse mundo.*
 
Pareceu-lhe conveniente criar seu próprio mundo, seu próprio circo.*
 
E assim foi, pelo menos e a princípio, somente dentro de sua mente.
 
Quando Mademoiselle Gabrielle, a fantástica contorcionista, descobriu que o hábil Carlos andava ensaiando novos números com a adorável Juanita, a ajudante do mágico, e contratou o experiente atirador de facas Jaime para acidentalmente errar seu alvo e acertar o coração adúltero do dono do circo Gonzales.
 
Então, de repente…
 
Plim!
 
Como num passe de mágica, sua ilusão virou realidade, e aos 16 anos, por mérito e direito, a inigualável Cassandra tornou-se a única herdeira e proprietária do Gran Circo Gonzales. E aqui começa outra história.
 
* Adaptações com referências ao livro Dom Quixote de La Mancha
 
(Trecho de background de personagem utilizada em crônica de Vampiro a Máscara)

Mulheres perfeitas?

Posted: 06/14/2011 by Aurea Gil in Kathy
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Peitudas, gostosonas, cinturinhas bem demarcadas, longos cabelos esvoaçantes, lábios carnudos que parecem ter saído de um consultório de um cirurgião plástico. Assim são elas, quase que sem tirar nem pôr, as heroínas, vilãs e coadjuvantes das histórias em quadrinhos.

Gostosas e de cinta liga

Combatendo o mal – ou fazendo parte dele – sem sair do salto, as mocinhas dos quadrinhos prestam aos nossos rapazes e moças quase que o mesmo desserviço que os filmes pornográficos prestam aos adolescentes que ainda não pegam ninguém.

(Faço aqui um corte para uma cena que assisti a pouco num documentário, onde um desses atores pornôs bem clássicos explicava, rindo muito “Atenção, seus nerds, me divirto muito filmando, mas ninguém faz sexo assim em casa, ok?”. hahaha…) É, ele tem toda razão, aquilo é sexo técnico, feito para ser estético e não funcional, mas, enfim, deixemos essa discussão educativa para um post mais oportuno, e concentremo-nos nas moças. 

Voltando ao desfile de silicone de nossos quadrinhos, “Nada diferente disso seria estético”, reclamam os machões. Aham, amigão, quer dizer que uma mulher de verdade com defeitinhos, gordurinhas e peito sem silicone não é estético pra você?  

“Ah, mas os homens também são todos gostosões!”. Er… Não, amigo. TODOS, não…

Beleza clássica

Sinônimo de sensualidade

Mister Universo

Daí que eu adoro quadrinhos, mas me cansa um pouco essa falta de diversidade no caso das mulheres (não, amigo, diversidade não é ter uma loira, uma ruiva e uma morena) e de referenciais mais comuns, sabem?

Afinal, ninguém nasce achando que mulheres peitudas, perfeitas, coxas grossas e cabelos esvoaçantes são muito mais bonitas do que as mulheres magras, ou gordas, ou de peitos pequenos, ou com peitos grandões, ou peitos médios, ou com alguns defeitinhos aqui e ali, com cabelos nem sempre saídos de um comercial de shampoo, sejam eles longos, curtos, médios, enrolados, lisos, etc. Isso se aprende, certo? E como é que a gente aprende, tiaaa? Oras, a gente aprende baseado nos referenciais que o mundo nos dá. Por exemplo, desde criancinhas, as meninas ganham Barbies, e aprendem que a Barbie loira e de olhos azuis é sempre a mais gata.

Tô Gata?

Quer dizer, todas menos eu, que sempre curti a Susi, gorduchinha e com os cabelos naturalmente encaracolados. Tsc tsc… Adepta das minorias desde pequenininha, fazer o que? 🙂

Lembrei de um post que li recentemente do blog da Lola e que mostrava corpos de vários atletas olímpicos de diferentes modalidades, que representavam perfeitamente a diversidade mesmo em quem está em perfeita forma física. Em seu blog, a desenhista de quadrinhos Nina Matsumoto comentou as fotos sobre o ponto de vista de quem desenha, achei bem interessante, vejam:

“Like many others I tend to fall into the trap of drawing the same body type over and over for athletic characters. This photoshoot serves as awesome reference reminding us artists that strong bodies come in all kinds of shapes and sizes and muscles show up in different ways. It also helps us keep in mind that not everyone who is fit is also lean. There’s often a layer of fat over the muscles, making them less visible for some.”

Traduçãozinha mequetrefe: “Como muitos outros, eu tendo a cair na armadilha de desenhar o mesmo tipo de corpo sempre e sempre para os personagens atléticos. Este photoshoot serve como referência impressionante lembrando nós artistas que corpos fortes existem em todos os tipos de formas e tamanhos, e os músculos aparecem de formas diferentes. Também nos ajuda a manter em mente que nem todo mundo que é atlético é também magro. Há muitas vezes uma camada de gordura sobre os músculos, tornando-as menos visíveis.”

“Ai, que chatice, pra que reclamar de algo que nunca vai mudar mesmo?”. Tô reclamando não, só constatando mesmo. Constatar abre espaço para reflexões, afinal, e refletir nunca é demais.

Mas, afinal de contas, eu tenho certeza que nossos adoráveis leitores não são idiotas e sabem que essas mulheres não existem, elas foram desenhadas baseadas em algum conceito de perfeição feminina implantado por aí. E mesmo as que “existem”, acabam por não existir, já que são praticamente feitas de colágeno, implantes,  plástico, gordura lipoaspirada, cabelos artificiais, enfim, um nojo. 

Termino colocando aqui uma foto de uma das minhas personagens femininas favoritas do Universo Marvel, Jessica Jones. Perfeita em suas imperfeições, MEGA loser, desastrada, divertida, tão humana que até é mãe. Quem quiser conferir procure Alias, em Marvel Max. Eu tenho a coleção completa de Alias, mas não empresto, não. Te vira, malandro 🙂

Sem aplique, e com falhas de caráter: mulher perfeita!

Um pedaço de você

Posted: 06/07/2011 by Aurea Gil in Kathy, Uncategorized
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Auto-explicativo

“Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.” (Clarice Lispector – A hora da estrela)

Confesso: a minha parte preferida em todo o processo do RPG é sempre a de criar personagens. Novos personagens, novas idéias, novas histórias. Nem sempre meus personagens podem ter a honra de interagir com o mundo, nem sempre consigo colocá-los à prova num jogo verdadeiro, interagindo com outros “eus” de outros jogadores, mas ainda assim esse é o momento em que eu mais me divirto.

E não falo só da planilha, não. Parte que também gosto muito, admito, mas falo mesmo de descobrir e construir aquela pessoa inteira, descobrir seus detalhes e seus “sussurros”. Afinal, citando aqui mais uma vez Clarice: “Os fatos são sonoros, mas entre os fatos há um sussurro. É o sussurro que me impressiona.”

sem background não dá

Traduzo: um background bem construído não significa nada para mim se ali não consigo enxergar vida. Uma ficha toda combada e funcional para mim nada diz se não encontro motivação para a personagem existir. Para mim essa vida está nos sussurros, nesses pequenos detalhes que fazem daquela pessoa alguém único, diferente dos demais.

Já tentei, sim, jogar sem me preocupar com background, num desses hack and slash básicos, mas quando chegou a minha bendita vez de abrir a boca (e acredite, essa hora sempre chega, mesmo no mais despretencioso dos jogos!), eu fiquei completamente muda! Não saía nada! Como falar algo sem saber quem era aquela pessoa que falava? Para mim não fazia o menor sentido!

Outra coisa que sempre me acontece, e que acho natural, embora alguns narradores não gostem, é a personagem ir “mudando” conforme o tempo passa. Uma personagem parece perfeita na teoria, mas quando ela entra em ação, percebe-se que certos pontos não funcionam, e desenvolve-se outros, e então a saída é mudar, moldar, modificar, aparar arestas, e assim como qualquer pessoa comum, em eterno aprendizado na vida, emocionalmente, inclusive, essa pessoa que a gente cria também se modifica aos poucos.

Por último, e não menos importante, até hoje jamais criei uma personagem que não tivesse um pouco de mim. Na verdade, acho que até o menos criativo jogador, aquele que enxerga o personagem como um conglomerado de atributos e bolinhas, fala muito sobre si mesmo quando escolhe interpretar esse tipo de personagem.

Encerro com mais uma frase de Clarice de “A Hora da Estrela”, onde Rodrigo S. M. define sua personagem Macabéa: “Mas eu, que não chego a ser ela, sinto que vivo para ela.”

Em comemoração ao dia do Orgulho Nerd, ou Dia da Toalha (e se você não sabe do que se trata, está lendo o blog errado, oras!), vamos listar – sim, um post feito a oito mãos, sem sacanagem – as dezenas de utilidades que uma toalha pode ter no seu próximo live-action:

"é toalha de banho, não toalha de mesa, sua besta!"

  • Enrole na cabeça (estilo – saindo do chuveiro) e vire um Malkaviano;
  • Enrole na cabeça (estilo turbante) e transforme-se imediatamente num Assamita;
  • Prenda na frente do seu rosto horrendo e interprete facilmente um Nosferatu (conforme o caso, empreste a toalha para seu coleguinha e mostre o rosto horrendo, mesmo);
  • Amarre em forma de bandana na cabeça e, voíla, temos um brujah da “gangue das toalhas”;
  • Seu misterioso Tremere vai ficar um charme com um manto místico feito de… toalha;

"Ai, arrasei no estilo neomarginal urbano do Mundo das Trevas! Ser Nosferatu pobre é tendência, sabia?"

  • Já um gangrel pode ir ao live nu, com uma toalha nas costas. (responsabilidade jurídica: não garantimos que você não será preso);
  • A namorada abusou no decote do corset? Envolva a moça na toalha! (não esqueça da desculpa de que está muito frio!);
  • O namorado está se distraindo do jogo observando as pernas daquela toreador? Venda de toalha no cara! (diga que vocês vão fazer um “joguinho” que ele vai se animar :));
  • A toalha pode cobrir a menina  que veio vestida como quem está no Baixo Augusta a trabalho de Terceiro Turno, mas pode ser uma arma de sedução mais devastadora se a jogadora tiver peito e coragem para ir a um evento apenas de toalha – não faça essa cara, sabemos que você já viu o vídeo das ninfetinhas do Anime Friends apenas de toalha, seu pervertido!

"você pode não acreditar, mas elas jogam RPG há mais de 5 anos. Elas sabem o que fazem quando querem chamar a atenção num evento."

  • O cara não tem senso de roleplaying e veio de pantufas? Molhe e dê uma surra  pra ver se ele ficar esperto! – o bom e velho Bullying
  • Artefato de cenário como “Bandeira” de alguma facção, família, reino ou alhures. Lembrando que todos os live-actions acontecem geralmente com uma cenografia pior que de circo do interior.
  • Ainda dentro da temática cenografia realista: o grupo Nosferatu anfitrião do evento usa toalhas para vedar a luz do sol. Os toreadores vão de-li-rar!
  • Quer perder uns pontinhos de status social? Compareça com a toalha ainda suja do sangue do lanchinho que seu descuidado caitiff fez antes de chegar à reunião.

Isso é groselha, seu Príncipe!

  • Um bom ravnos faz cerca de cento e vinte e três números de ilusionismo diferentes com uma simples… toalha!
  • Seu Narrador é incrível e você entrou demais no clima do Mundo das Trevas? Seque o suor com sua toalha!
  • Tá sem lugar pra se trocar? Peça pro amiguinho segurar a toalha na sua frente!
  • Uma toalha serve também para cobrir a mesa de salgadinhos, Doritos e demais quitutes que só deverão ser consumidos DEPOIS do live – o que os olhos não veem, a boca não prova!

Uma toalha branca + 2 buracos = Wraith

  • Se esconda debaixo da toalha para simular invisibilidade (bem melhor que ofuscação);
  •  Jogue por cima da cabeça e “tchã-rã”, teleporte instantâneo:
  •  Taque fogo na toalha: bola de fogo! (responsabilidade jurídica: nenhuma, não temos culpa se você repete qualquer idiotice que lê na internet)

    "Mantenha sua toalha sempre limpa. Ela não é passaporte pra ter carimbo de origem"

Feliz dia do orgulho nerd pra vocês! Não entre em pânico!

Ninguém perde?

Posted: 05/24/2011 by Aurea Gil in Kathy, Vampiro
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Quer fazer amiguinhos? Vai brincar de roda!

Na teoria, quando alguém chega com a célebre pergunta “afinal, que é esse negócio de RPG mesmo?”, rola aquela linda explicação sobre “um jogo onde ninguém ganha, ninguém perde”, “jogo cooperativo”, “trabalha-se em conjunto”, e coisa e tal.

Sabem o que eu acho disso? BA-LE-LA! Vem jogar vampiro, vem!? Vem ver de pertinho o jogo onde ninguém perde e são todos amiguinhos. Duas puxadas de tapete depois você estará considerando retornar ao grupo de tranca da paróquia do bairro, esse sim bastante solidário.

Na verdade, meu caro amiguinho, não precisa sair correndo assustado assim tão rapidamente. Num jogo voltado para o público adulto, com temática que inclui disputas por poder e por status, intrigas sociais e muita, muita guerra de influências, é natural que seu amigo em “off”, que em “on” interpreta o pior de seus inimigos sacanas, não pense duas vezes antes de lhe sabotar sem ao menos retirar o sorriso sarcástico do rosto.

Fazer o que? Não há aquela outra máxima do mundo RPGístico “é tudo um jogo”? Abrace a causa, e corra para se vingar do maldito traidor, ops, do seu amigão, na próxima oportunidade, beibe. Jogo cooperativo é o escambau! 🙂

Imagem daqui

Não posso sorrir, sou uma gótica sem caninos

Já esteve em um live-action de vampiro? Já viu fotos de grupos interagindo em pleno jogo? Me diga então, quais são as características predominantes? Todos sérios, fazendo cara de maus, expressões fechadas, certo? Roupas escuras, muito preto e vermelho. As mulheres bem maquiadas, geralmente usando peças justas, curtas, com muitos decotes e fendas. Os homens com cara de poucos amigos, abusando dos tons escuros, dos coturnos e dos acessórios de couro. Mas quem diabos determinou em algum momento que vampiros são assim?

Vamos começar pela cara de mau. Certo, certo, um jogo de horror pessoal, onde interpretamos monstros ávidos por sangue que caminham a passos largos para longe de sua humanidade. Seres amaldiçoados, com emoções anestesiadas pelos séculos de vida, desconfiados, calejados, que se sentem cercados de inimigos em situações sociais como as representadas nos lives. Oras, é impossível interpretar alguém assim e não permanecer sério! Poxa, será mesmo? Eles não tem momentos felizes? É um erro expressar alegria nesse mundo vampírico?

E as roupas? Certo, estamos no Mundo das Trevas, um cenário alternativo, escuro, sombrio, uma versão mais obscura do nosso mundo real, ambientação definida oficialmente como “punk-gótico”. Mas será que todos os personagens desse mundo caminham sempre numa mesma direção? Ninguém pensa diferente, ninguém é meio do contra, prefere azul, branco, verde água ou, sei lá, rosa bebê ao invés de preto, ou escolhe se vestir com roupas comuns de dia-a-dia ao invés de andar por aí como uma rainha sadomasoquista ou um gótico de butique? Ninguém sorri, tem momentos de satisfação ou de prazer?

É aqui o live?

Há tempos tive uma personagem em um live action de Requiem que escapava completamente desses dois estereótipos, o da roupa e o da cara de poucos amigos. Ela sorria, até demais. Sempre com seu leque em mãos e um acentuado sotaque francês. Ela falava alto, fazia observações muitas vezes inoportunas (na maior parte das vezes de forma proposital, constrangendo seus desafetos). Utilizava o sarcasmo como arma, na verdade.

Usava roupas claras sempre, muitos acessórios, muitas cores, brilhos, o que a destacava na multidão de preto, e, claro, incomodava seus convivas. Certamente, foi uma personagem marcante para mim e para quem jogava comigo. Com o tempo, essa interpretação tornou-se tão forte que mesmo em reuniões do grupo, fora dos live actions, eu acabava atendendo aos pedidos dos colegas de grupo e improvisava o leque para utilizar nas rolagens, pois o acessório se transformou em marca registrada da personagem, assim como os sorrisos e as roupas diferentes.

Somos malkavianos de pantufaaas, êêêêê!!!

Claro que se todo mundo fugir absurdamente do estereótipo, é capaz do live ser confundido com uma reunião do fã clube do Restart, ou algo que o valha. Estereótipos são sim importantes, afinal, é baseado neles que o jogo segue uma linha, que os clãs existem, que as seitas sobrevivem.

Porem, sem exageros, utilizado de forma coerente com background, com objetivos em jogo, e, mais importante de tudo, com o estilo dos narradores e do próprio player, esses toques diferentes e inesperados sempre trazem aspectos muito positivos para o jogo, ajudando a explorar novos ângulos da interação com outros jogadores e provocando reações diferenciadas, além de ser uma ótima forma do personagem ser lembrado, de deixar sua marca no grupo.

Que tal ousar um pouquinho mais ao construir seu próximo personagem?

Imagens: Getty Images