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Mulheres perfeitas?

Posted: 06/14/2011 by Aurea Gil in Kathy
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Peitudas, gostosonas, cinturinhas bem demarcadas, longos cabelos esvoaçantes, lábios carnudos que parecem ter saído de um consultório de um cirurgião plástico. Assim são elas, quase que sem tirar nem pôr, as heroínas, vilãs e coadjuvantes das histórias em quadrinhos.

Gostosas e de cinta liga

Combatendo o mal – ou fazendo parte dele – sem sair do salto, as mocinhas dos quadrinhos prestam aos nossos rapazes e moças quase que o mesmo desserviço que os filmes pornográficos prestam aos adolescentes que ainda não pegam ninguém.

(Faço aqui um corte para uma cena que assisti a pouco num documentário, onde um desses atores pornôs bem clássicos explicava, rindo muito “Atenção, seus nerds, me divirto muito filmando, mas ninguém faz sexo assim em casa, ok?”. hahaha…) É, ele tem toda razão, aquilo é sexo técnico, feito para ser estético e não funcional, mas, enfim, deixemos essa discussão educativa para um post mais oportuno, e concentremo-nos nas moças. 

Voltando ao desfile de silicone de nossos quadrinhos, “Nada diferente disso seria estético”, reclamam os machões. Aham, amigão, quer dizer que uma mulher de verdade com defeitinhos, gordurinhas e peito sem silicone não é estético pra você?  

“Ah, mas os homens também são todos gostosões!”. Er… Não, amigo. TODOS, não…

Beleza clássica

Sinônimo de sensualidade

Mister Universo

Daí que eu adoro quadrinhos, mas me cansa um pouco essa falta de diversidade no caso das mulheres (não, amigo, diversidade não é ter uma loira, uma ruiva e uma morena) e de referenciais mais comuns, sabem?

Afinal, ninguém nasce achando que mulheres peitudas, perfeitas, coxas grossas e cabelos esvoaçantes são muito mais bonitas do que as mulheres magras, ou gordas, ou de peitos pequenos, ou com peitos grandões, ou peitos médios, ou com alguns defeitinhos aqui e ali, com cabelos nem sempre saídos de um comercial de shampoo, sejam eles longos, curtos, médios, enrolados, lisos, etc. Isso se aprende, certo? E como é que a gente aprende, tiaaa? Oras, a gente aprende baseado nos referenciais que o mundo nos dá. Por exemplo, desde criancinhas, as meninas ganham Barbies, e aprendem que a Barbie loira e de olhos azuis é sempre a mais gata.

Tô Gata?

Quer dizer, todas menos eu, que sempre curti a Susi, gorduchinha e com os cabelos naturalmente encaracolados. Tsc tsc… Adepta das minorias desde pequenininha, fazer o que? 🙂

Lembrei de um post que li recentemente do blog da Lola e que mostrava corpos de vários atletas olímpicos de diferentes modalidades, que representavam perfeitamente a diversidade mesmo em quem está em perfeita forma física. Em seu blog, a desenhista de quadrinhos Nina Matsumoto comentou as fotos sobre o ponto de vista de quem desenha, achei bem interessante, vejam:

“Like many others I tend to fall into the trap of drawing the same body type over and over for athletic characters. This photoshoot serves as awesome reference reminding us artists that strong bodies come in all kinds of shapes and sizes and muscles show up in different ways. It also helps us keep in mind that not everyone who is fit is also lean. There’s often a layer of fat over the muscles, making them less visible for some.”

Traduçãozinha mequetrefe: “Como muitos outros, eu tendo a cair na armadilha de desenhar o mesmo tipo de corpo sempre e sempre para os personagens atléticos. Este photoshoot serve como referência impressionante lembrando nós artistas que corpos fortes existem em todos os tipos de formas e tamanhos, e os músculos aparecem de formas diferentes. Também nos ajuda a manter em mente que nem todo mundo que é atlético é também magro. Há muitas vezes uma camada de gordura sobre os músculos, tornando-as menos visíveis.”

“Ai, que chatice, pra que reclamar de algo que nunca vai mudar mesmo?”. Tô reclamando não, só constatando mesmo. Constatar abre espaço para reflexões, afinal, e refletir nunca é demais.

Mas, afinal de contas, eu tenho certeza que nossos adoráveis leitores não são idiotas e sabem que essas mulheres não existem, elas foram desenhadas baseadas em algum conceito de perfeição feminina implantado por aí. E mesmo as que “existem”, acabam por não existir, já que são praticamente feitas de colágeno, implantes,  plástico, gordura lipoaspirada, cabelos artificiais, enfim, um nojo. 

Termino colocando aqui uma foto de uma das minhas personagens femininas favoritas do Universo Marvel, Jessica Jones. Perfeita em suas imperfeições, MEGA loser, desastrada, divertida, tão humana que até é mãe. Quem quiser conferir procure Alias, em Marvel Max. Eu tenho a coleção completa de Alias, mas não empresto, não. Te vira, malandro 🙂

Sem aplique, e com falhas de caráter: mulher perfeita!