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Não posso sorrir, sou uma gótica sem caninos

Já esteve em um live-action de vampiro? Já viu fotos de grupos interagindo em pleno jogo? Me diga então, quais são as características predominantes? Todos sérios, fazendo cara de maus, expressões fechadas, certo? Roupas escuras, muito preto e vermelho. As mulheres bem maquiadas, geralmente usando peças justas, curtas, com muitos decotes e fendas. Os homens com cara de poucos amigos, abusando dos tons escuros, dos coturnos e dos acessórios de couro. Mas quem diabos determinou em algum momento que vampiros são assim?

Vamos começar pela cara de mau. Certo, certo, um jogo de horror pessoal, onde interpretamos monstros ávidos por sangue que caminham a passos largos para longe de sua humanidade. Seres amaldiçoados, com emoções anestesiadas pelos séculos de vida, desconfiados, calejados, que se sentem cercados de inimigos em situações sociais como as representadas nos lives. Oras, é impossível interpretar alguém assim e não permanecer sério! Poxa, será mesmo? Eles não tem momentos felizes? É um erro expressar alegria nesse mundo vampírico?

E as roupas? Certo, estamos no Mundo das Trevas, um cenário alternativo, escuro, sombrio, uma versão mais obscura do nosso mundo real, ambientação definida oficialmente como “punk-gótico”. Mas será que todos os personagens desse mundo caminham sempre numa mesma direção? Ninguém pensa diferente, ninguém é meio do contra, prefere azul, branco, verde água ou, sei lá, rosa bebê ao invés de preto, ou escolhe se vestir com roupas comuns de dia-a-dia ao invés de andar por aí como uma rainha sadomasoquista ou um gótico de butique? Ninguém sorri, tem momentos de satisfação ou de prazer?

É aqui o live?

Há tempos tive uma personagem em um live action de Requiem que escapava completamente desses dois estereótipos, o da roupa e o da cara de poucos amigos. Ela sorria, até demais. Sempre com seu leque em mãos e um acentuado sotaque francês. Ela falava alto, fazia observações muitas vezes inoportunas (na maior parte das vezes de forma proposital, constrangendo seus desafetos). Utilizava o sarcasmo como arma, na verdade.

Usava roupas claras sempre, muitos acessórios, muitas cores, brilhos, o que a destacava na multidão de preto, e, claro, incomodava seus convivas. Certamente, foi uma personagem marcante para mim e para quem jogava comigo. Com o tempo, essa interpretação tornou-se tão forte que mesmo em reuniões do grupo, fora dos live actions, eu acabava atendendo aos pedidos dos colegas de grupo e improvisava o leque para utilizar nas rolagens, pois o acessório se transformou em marca registrada da personagem, assim como os sorrisos e as roupas diferentes.

Somos malkavianos de pantufaaas, êêêêê!!!

Claro que se todo mundo fugir absurdamente do estereótipo, é capaz do live ser confundido com uma reunião do fã clube do Restart, ou algo que o valha. Estereótipos são sim importantes, afinal, é baseado neles que o jogo segue uma linha, que os clãs existem, que as seitas sobrevivem.

Porem, sem exageros, utilizado de forma coerente com background, com objetivos em jogo, e, mais importante de tudo, com o estilo dos narradores e do próprio player, esses toques diferentes e inesperados sempre trazem aspectos muito positivos para o jogo, ajudando a explorar novos ângulos da interação com outros jogadores e provocando reações diferenciadas, além de ser uma ótima forma do personagem ser lembrado, de deixar sua marca no grupo.

Que tal ousar um pouquinho mais ao construir seu próximo personagem?

Imagens: Getty Images

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